language choice

EuroCom: Um caminho rumo ao plurilinguismo na Europa

EuroComRom: Os sete passadores

Uma entrada plurilingue no mundo das línguas românicas

1. Introdução

1.1 Diversidade e riqueza de línguas na Europa

A Europa vive actualmente um processo de intercâmbio e de contactos mútuos na circulação de mercadorias e de pessoas, assim como no domínio da comunicação e da informação nos meios da comunicação social; é um fenómeno nunca visto até à data - nem mesmo durante o Império Romano ou na Idade Média "internacional". As comunidades linguísticas europeias aproximam-se cada vez mais e o que cada um sabia de maneira muito geral sobre o plurilinguismo torna-se num contacto concreto com cada vez mais europeus de proveniência diversa falando outra língua. A comunicação improvisada por via de uma língua terceira, veicular, que cria certa distância, não pode satisfazer a necessidade de aprofundamento destes contactos, visto que nenhum dos falantes nesta comunicação se exprime na língua-materna ou na do interlocutor, não dando ninguém desta feita um passo em direcção ao outro.

Os europeus estão cada vez mais conscientes da importância das respectivas línguas-maternas como meio para se aproximarem mais uns dos outros. A opinião pública considera, entretanto, que é demasiado longo o tempo necessário à aquisição de conhecimentos suficientes à comunicação nas diferentes línguas dos cidadãos europeus com os quais se está em contacto mais estreito. É por isso que se renuncia - naturalmente a contragosto - a uma autêntica diversificação das línguas.

É verdade que as nações das comunidades linguísticas da Europa sublinham sistematicamente o quanto a presença e o respeito pela sua língua-materna lhes é caro, mas logo retrocedem quando se trata de introduzir e implantar, na base da reciprocidade, a sua língua nas escolas europeias. A comunicação aprofundada entre os europeus vê-se assim entravada. A livre circulação das pessoas e a sua instalação nos países vizinhos permanece fortemente limitada em função da falta de preparação através de um ensino linguístico diversificado.

1.2 EuroCom multilingue

O alvo da nova estratégia EuroCom consiste em tornar possível o plurilinguismo aos europeus de maneira realista,

- sem incremento do esforço de aprendizagem, antes pelo contrário, com reduzidos esforços de aprendizagem;

- sem exigência de uma competência maximalista, isto é, reconhecendo o valor duma competência parcial para fins de comunicação.

EuroCom concebe-se como complemento necessário à oferta do ensino de línguas nas nossas escolas. A maioria das escolas europeias transmite, certamente, competências numa língua estrangeira (o inglês, na maior parte do tempo) com sucesso variável e até numa segunda língua para alguns (o francês ou o alemão). Entretanto, não se atingiu um plurilinguismo que se apoiasse na complexidade e na riqueza linguística da Europa, conducente a uma competência pan-europeia.

EuroCom concebe-se como um complemento à oferta tradicional de aprendizagem de línguas, mas pode igualmente servir de proposta de reforma que facilite a aprendizagem de línguas de maneira fundamental.

Obstáculos

O principal obstáculo a uma competência plurilinguística mais amplamente difundida é de natureza psicológica, ligado à motivação. A dificuldade não está ligada ao problema de se ser dotado ou inteligente nem essencialmente à questão de se economizar tempo. O obstáculo principal é duplo: primeiro, em relação ao esforço de aprendizagem temido pelo indivíduo e, seguidamente, com relação directa à ideia de que a opinião pública não considera o plurilinguismo como o caso normal, mas sim como uma anomalia.

EuroCom quer reduzir esta barreira causada pelo esforço de aprendizagem esperado, assim como eliminar a barreira das mentalidades existente sobretudo nos grandes Estados por assim dizer monolingues. A sociedade e os sistemas escolares de tais Estados têm tendência a considerar o plurilinguismo como sinal característico de sub-desenvolvimento. Esta tomada de posição, que passa quase despercebida e que é contrária ao que pareceria lógico, deveria ser refutada por explicações claras e distintas.

A União Europeia poderia exercer uma influência positiva junto dos governos regionais e supra-regionais contra os preconceitos relativos ao plurilinguismo e até mesmo erradicá-los. Contudo, um programa para as línguas europeias não poderá tornar-se efectivo sem que a dificuldade de aceder a outras línguas seja reduzida de modo significativo. Tal é o propósito de EuroCom.

O início

Na passagem duma língua conhecida a outra, o momento inicial, o primeiro contacto realizado com o propósito de adquirir esta língua é que se torna no momento determinante; é aqui que começam as angústias e as resistências. Uma estratégia que, neste momento primordial, pudesse oferecer uma solução que excluísse os esforços de aprendizagem, seria a condição prévia a um sucesso realista e pragmático no quadro de um programa de aprendizagem das línguas europeias. EuroCom oferece esta possibilidade.

EuroCom não propõe senão coisas simples aos aprendentes na sua fase de arranque, ou mais precisamente: as coisas que os aprendentes já sabem, mas que ignoravam saber. A experiência prova que se atinge assim um motivação muito elevada para o início da aprendizagem: a intenção didáctica e psicológica do nosso método de aprendizagem consiste, com efeito, em demonstrar e provar aos aprendentes que eles já sabem muita coisa de que nem suspeitavam - a fim de neles despertar a auto-confiança no momento de abordagem da nova língua. Os aprendentes «aprendem», em primeiro lugar, tudo o que já não têm de aprender. Vêem o rendimento ganho do capital linguístico de que dispõem, mas que ainda não concretizaram verdadeiramente - e do qual devem retirar benefício para o investir numa nova língua. Vêem igualmente que o benefício se perderá a longo prazo, se não o reinvestirem.

EuroCom receptivo

Para o realizar, renunciamos estrategicamente, de início, a exigir prestações de produção linguística oral e escrita e concentramo-nos na fase inicial que representa o cerne de EuroCom nas prestações linguísticas receptivas - aqui a compreensão da escrita. A compreensão escrita, para o adulto jovem ou mais idoso, é a prestação mais fácil e, por esta via, o fundamento mais sólido para o desenvolvimento ulterior da competência em matéria de compreensão do oral, de produção oral e de expressão escrita. A competência da compreensão da escrita está, além disso, em vias de assumir um valor cada vez maior, dada a importância crescente da escrita. O processo de informação e de decisão é cada vez mais baseado sobre documentos escritos. Mesmo a gravação e a transposição da voz humana pelo computador tornam-se texto escrito e o utilizador interpelado preferirá sempre o texto escrito que pode ler por alto efectuando uma economia de tempo.

1.3 Nenhuma língua estrangeira é uma terra abolutamente incógnita

O ensino convencional duma língua dá ao aprendente esta impressão desmotivante de que ele começa a língua no marco zero, sendo um neófito absoluto. Ensinam-se-lhe as primeiras frases que se situam a um nível intelectual extremamente baixo. EuroCom começa por mostrar tudo o que um aprendente já pode decifrar num texto utilitário de língua corrente nesta nova língua. EuroCom activa as competências existentes mas não exploradas. Pesquisar os elementos comuns naquilo que nos parece ser estrangeiro passa por duas bases linguísticas:

1. o parentesco entre as línguas,

2. os internacionalismos que em vastos domínios da vida moderna e das línguas estrangeiras repousam sobre uma base lexical comum.

A primeira base é prioritária porque, para lá do léxico, ela permite detectar os elementos conhecidos na estrutura linguística da nova língua, nos sons, na morfologia, na formação e estrutura das palavras ou na sintaxe.

A detecção optimizada

Procurar elementos conhecidos no que nos é desconhecido é um processo que, além do mais, se serve da capacidade humana de transferir experiências vividas, significados e estruturas conhecidas para novos contextos. EuroCom leva o aprendente a recorrer permanentemente a esta capacidade aquando da passagem a uma nova língua. O objectivo é uma detecção optimizada. Mas ao fazer isto, não se pede nada ao aprendente que ele não saiba já. Ele deve unicamente aproveitar-se o melhor possível daquilo que já possui e já sabe. EuroCom fornece todas as ajudas necessárias para que com um mínimo de trabalho de aprendizagem se torne possível um máximo de detecções. EuroCom oferece a cada um a possibilidade de se ajudar a si mesmo.

Em oposição ao ensino tradicional de línguas para principiantes, em que se trata de avaliar o que é verdadeiro ou falso nas prestações linguísticas do aprendente e onde tudo o que não seja inteiramente correcto será considerado como sem valor, devendo ser corrigido, com EuroCom preocupamo-nos com o valor de cada prestação de compreensão aproximadamente correcta. Isto é extremamente importante para a motivação.

De maneira geral, no EuroCom, consideramos: o que leva à detecção do sentido geral e a uma comunicação mínima efectiva, é já uma prestação preciosa. Isto pode motivar o aprendente a procurar uma correcção positiva, assim como um treino suplementar. Os erros não são simplesmente falsos ou erróneos. A maior parte dos erros mostram uma pequena ou grande parte de comportamento inteligente. É indispensável que esta parte seja aumentada em permanência, de forma motivada e corajosa (sem medo do erro - tendo o sucesso em mira).

Tudo o que já sei

EuroCom organiza os domínios nos quais se podem encontrar as coisas comuns em cada língua nova, na medida em que esta pertença à mesma família ou ao mesmo tipo de línguas. Há sete domínios a que se chamará os sete passadores ou as sete peneiras. Isto será em seguida demonstrado com um exemplo da família das línguas românicas, EuroComRom. O mesmo modelo pode ser aplicado à família das línguas germânicas, EuroComGer, ou eslavas, EuroComSlav. (EuroComRom, para o aprendente alemão, pressupõe conhecimentos escolares duma língua românica que no sistema escolar alemão é mais frequentemente o francês. Para o aprendente portugês, o espanhol ou o italiano são as línguas que podem ajudar muito no acesso a outras línguas românicas.)

Durante os sete processos de peneirar, o aprendente vai seleccionando, qual garimpeiro de pepitas de ouro no curso de um riacho. Ele retira da nova língua tudo o que já lhe pertence, porque dispõe desses elementos na língua que conhece. Após ter passado a pente fino sete vezes a língua à procura de elementos conhecidos, verifica que um texto de jornal na nova língua (por exemplo, no campo da política internacional) é fácil de entender no que toca às informações essenciais. Partindo destes dados, vê que pode compreender o sentido das outras partes do texto com uma boa aproximação.

A divisão sistemática dos sete domínios diferentes é feita por razões didácticas. O aprendente deve ver distintamente quais são os diferentes domínios que lhe asseguram uma compreensão efectiva. Na hierarquia dos diferentes domínios, às possibilidades de detecção evidentes e imediatas sucedem-se as possibilidades que exigem um olhar mais vigilante e um pequeno exercício. Após a fase didáctica inicial, o trabalho prático de compreensão do texto deverá recorrer a todos os sete passadores indistintamente, seguindo a necessidade postulada pelo texto.

1.4 Os sete passadores

Com o primeiro passador, coa-se o vocabulário internacional [VI] da nova língua. Este vocabulário foi criado para todas as línguas no desenvolvimento moderno da vida humana e do pensamento. É-lhes comum e apoia-se em medida considerável nas bases latino-românicas, o que favorece imenso as línguas românicas neste primeiro passador. Um adulto possui cerca de 5000 destas palavras, que é capaz de reconhecer sem esforço nas outras línguas, visto que só muito ligeiramente foram modificadas. O vocabulário internacional, junto aos nomes de pessoas e de instituições internacionais comuns, assim como os termos geográficos, etc., forma a parte do texto que num artigo de jornal (por exemplo, sobre política internacional) pode ser compreendida imediatamente. Este vocabulário é, de resto, muito frequente neste tipo de texto e representa a sua maior parte.

Com o segundo passador, coa-se o vocabulário específico comum à família das línguas românicas: o vocabulário panromânico [VP]. Este passador mostra-nos como o conhecimento de apenas uma língua românica representa já uma grande porta aberta a todas as outras línguas românicas. Os aprendentes que já investiram numa segunda língua românica podem recuperar esse benefício para as outras línguas românicas. Cerca de 500 palavras do nosso passado latino comum existem ainda hoje no vocabulário de base da maioria das línguas românicas. Este segundo passador, com as suas correspondências, é, de resto, particularmente importante para a família das línguas germânicas ou eslavas, visto que o vocabulário pangermânico, por exemplo, coincide menos com o vocabulário internacional e abre assim um léxico complementar mais importante.

É só com o terceiro passador que serão utilizados os parentescos lexicais de maneira estratégica: pela detecção das correspondências de fonemas [CP]. Numerosas palavras, frequentemente empregadas, não são facilmente reconhecíveis à primeira vista porque evoluiram nestes últimos 1500 anos de forma diversa ao nível dos fonemas. EuroCom põe à disposição do aprendente todas as formas de correspondência dos fonemas para que possa reconhecer facilmente o parentesco da palavra e, desta feita, o seu significado. As descobertas que cada aprendente faz no contacto com uma língua aparentada, são sistematizadas por um número restrito de correspondências entre fonemas. O aprendente pode, assim, analisar imediatamente uma quantidade de evoluções históricas e reconhecer a palavra na sua nova roupagem, mobilizando poucos esforços de aprendizagem e partindo, em cada caso, de um exemplo preciso; sabendo que 'noite' corresponde ao francês 'nuit', ao espanhol 'noche' e ao italiano 'notte', pode-se deduzir que a 'leite' corresponde 'lait' em francês, leche' em espanhol e 'latte' em italiano.

O quarto passador corresponde às grafias e às pronúncias [GP]. As línguas românicas utilizam certamente as mesmas letras para transcrever a maior parte dos fonemas, mas algumas soluções ortográficas são mesmo assim diferentes e impedem o reconhecimento do parentesco da palavra e do seu sentido. EuroCom sistematiza as diferenças adoptadas por cada língua num quadro sinóptico para que cada um as consciencialize. EuroCom demonstra a lógica da convenção ortográfica de cada língua, resolvendo assim as dificuldades. O aprendente só deve então dar atenção uma única vez, de forma consciente, a um número limitado de fenómenos. Paralelamente, algumas convenções de pronúncia tornam-se transparentes e são utilizadas para demonstrar o parentesco das palavras: descobrem-se palavras escritas de modo diverso como idênticas quanto à sua pronúncia.

O quinto passador tira proveito do facto de que os nove tipos sintácticos fundamentais [SF] são estruturalmente idênticos em todas as línguas românicas. A pessoa que interiorizou este facto poderá imediatamente medir até que ponto os seus conhecimentos sintácticos duma língua românica lhe servirão de ajuda para situar a posição dos artigos, dos substantivos próprios e comuns, dos adjectivos, dos verbos e das conjunções. Mesmo nas numerosas orações subordinadas (relativas ou condicionais), a posição sintáctica das palavras é bastante transparente. Sobre a base deste grande paralelo, as singularidades de cada língua podem então ser facilmente isoladas e tornadas rapidamente transparentes com o auxílio de algumas explicações.

Com o sexto passador, EuroCom põe à disposição uma fórmula de base para a morfologia [MO], com a qual se pode demonstrar o menor denominador comum das diferentes palavras gramaticais ou terminações de palavras (por exemplo, como reconhecer uma primeira pessoa do plural nas línguas românicas). A leitura da estrutura da frase é, assim, facilmente abordável. Os elementos morfo-sintácticos são os elementos mais frequentes de um texto. Por isso é que o seu reconhecimento é muito útil.

O sétimo passador consiste numa lista de prefixos e sufixos [FX]. Permite a análise de palavras compostas separando a raiz dos afixos. Basta fazer recordar um pequeno número de prefixos e sufixos latinos e gregos para se poder descodificar uma multidão de palavras.

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O aprendente pôde assim verificar, durante os sete processos de selecção, que dispõe dum grande reportório de elementos já conhecidos no domínio lexical e gramatical duma língua românica. E isto para várias línguas duma só vez. O mérito de EuroCom é aqui estrategicamente decisivo: não há um progresso penoso duma língua para outra e, a seguir, para outra ainda, pois, graças a um esforço único, a porta está aberta para todas as línguas. Assim, portanto, já não é vantajoso nem económico renunciar ao objectivo de conhecer muitas línguas. Pelo contrário, restringir os conhecimentos seria sinónimo de desperdício de vantagens.

1.5 As várias línguas

Somente numa segunda fase da estratégia EuroCom, o aprendente é incitado a abandonar-se um pouco mais à sua motivação pessoal e a estabelecer centros de interesse particulares na família das línguas filtradas pelos sete passadores.

EuroCom propõe para tanto mini-retratos de seis línguas românicas, faladas no total por três quartos de um bilião de almas. Estes mini-retratos, com a ajuda dos sete passadores, vão fazer com que o saber linguístico mobilizado se torne sistemático, completando-o.

O mini-retrato começa com indicações relativas à implantação geográfica da língua e ao número de falantes. Permite dar uma visão de conjunto do desenvolvimento histórico desde as origens até aos nossos dias, indica os dialectos mais frequentes e as variantes.

A parte mais importante é um resumo que apresenta de maneira condensada as particularidades típicas, idiossincráticas, da língua, muito especialmente: a pronúncia, a ortografia e a estrutura das palavras. Deste modo, as impressões auditiva ou gráfica que, por vezes, o aprendente não integra senão de maneira difusa, são formuladas e tornadas conscientes. A língua fica então claramente diferenciada em relação às outras línguas aparentadas, para que no aprendente se desenhe com nitidez, sobre o fundo da parentela e da semelhança das línguas evocadas pelos sete passadores, a particularidade de cada língua.

Esta caracterização é seguida de um mini-léxico com as diferentes categorias de palavras (mini-gramática incluída) no qual se propõem de forma sistemática os 400 elementos lexicais mais frequentes: numerais, artigos, preposições, nomes comuns mais importantes, adjectivos, conjunções, advérbios de lugar, de tempo e de quantidade e até os 20 verbos mais frequentes nas suas formas regulares e irregulares. Deste modo encontrar-se-ão listadas sistematicamente as palavras acessíveis pelos sete passadores. Serão completadas pelas palavras frequentes e importantes que eventualmente só ocorrerão numa das línguas. Num léxico alfabético final aparecem, pois, as palavras estruturais de cada língua, que representam 50 a 60% de um texto corrente. Nesta lista serão destacadas as palavras que não puderam ser adquiridas durante as sete passagens de triagem, para as quais se recomenda uma atenção especial. Felizmente, estes particularismos representam apenas poucas palavras, mesmo que sejam frequentes (cerca de 12 palavras por língua).

Os mini-retratos são apresentados intencionalmente como um concentrado: é com um mínimo de input (12 páginas por língua) que se permite a obtenção de um máximo de output para a compreensão escrita.

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Com este equipamento, o aprendente dispõe duma base sólida para o desenvolvimento da competência receptiva. Ela pode aumentar rapidamente por uma leitura de textos diversos. Isso facilitará a passagem para a recepção de textos audio e ao mesmo tempo poderá motivar a expressão oral duma maneira ou doutra. Entretanto, é preciso sublinhar que, só por si, a aquisição de uma boa competência receptiva de várias línguas representa em si um objectivo fundamental para a Europa.

1.6 EuroCom enquanto manual de aprendizagem

O manual aqui apresentado é concebido como utensílio para as universidades e as escolas. Deveria ser acompanhado por professores que aprenderam ao longo de suas vidas várias línguas estrangeiras. É um complemento aos materiais e manuais existentes para a aprendizagem das línguas que cada aprendente poderá utilizar segundo a sua escolha e necessidades. Este livro tem uma função preliminar em relação aos manuais convencionais de aprendizagem das diferentes línguas. Os cursos de línguas individualizadas podem ser assim acelerados e simplificados. Ganha-se tempo, uma maior oferta de línguas torna-se realizável.

Os agentes de ensino não têm necessariamente de saber todas as línguas tratadas; só devem proceder perante cada nova língua com a mesma estratégia EuroCom, colocando-se, pois, perante o desafio com os outros aprendentes de decifrar um texto de jornal na nova língua. Neste sentido, a utilização deste manual é igualmente interessante para grupos sem ensino na medida em que participantes de vários domínios linguísticos se completam enquanto peritos no grupo. Aquando duma utilização deste livro para o estudo independente, é necessário utilizar os meios auditivos a fim de obter uma impressão correcta da pronúncia.

O manual tem por objectivo demonstrar, sobre a base do modelo EuroComRom para alemães, a transposição prática dos princípios fundamentais do método. Este modelo é facilmente adaptável às outras línguas de partida e de chegada.

1.7 Aprender línguas e motivação

A utilização sistemática da parentela ou das semelhanças entre línguas é precisamente uma fonte que até agora se utiliza pouco para um acesso mais cómodo ao plurilinguismo. EuroCom facilita assim efectivamente o processo de aprendizagem. Mas da mesma maneira, também a motivação pessoal e subjectiva será decisiva. Um terreno favorável para o plurilinguismo dependerá da medida em que as experiências anteriores com a aprendizagem das línguas tiverem sido coroadas de sucesso ou insucesso. É recomendável, portanto, que antes de começar a trabalhar com EuroCom se fale das angústias e dos preconceitos que rodeiam o plurilinguismo e se eliminem as barreiras subjectivas.

 

As cinco angústias

Nos países onde não se tem o hábito do multilinguismo, deparamos sobretudo com cinco tipos de angústia ou com factores desfavoráveis à motivação que perturbam ou impedem o acesso a outras línguas. É preciso estar consciente destas angústias para melhor as desactivar e no caso de se tratar de argumentos simplesmente falsos é preciso refutá-los.

1. «Sou demasiado velho. Só uma criança é que pode aprender línguas.» (Burro velho não aprende línguas.) Isto é uma subestimação da capacidade de aprendizagem dos adultos. Ao contrário, é preciso ter consciência de que as vantagens de que uma criança dispõe (muito tempo, muita energia lúdica para se identificar com a língua que é necessário aprender) são compensadas no mínimo pelas aquisições que o adulto traz consigo. Um adulto obtém em numerosos domínios uma progressão muito mais rápida na sua aprendizagem do que a criança, a par da sua experiência linguística e do seu saber, sobretudo se ele se debruça intensamente e se se encontra muito motivado para esta língua. No adulto, o facto de escutar atentamente e de pronunciar correctamente está igualmente ligado à sua atitude, à sua confiança em si próprio e à sua disposição em querer inserir-se muito rapidamente noutro ambiente linguístico.

2. «Não sou dotado para línguas.» Não existem pessoas não-dotadas para as línguas (salvo em caso de perturbação cerebral): cada ser humano aprendeu a sua língua materna; pode, da mesma forma, aprender as outras línguas. A única coisa que se esquece é que a aquisição da língua materna foi um processo muito complexo e muito longo e que, em relação a isso, a aquisição duma língua suplementar é por vezes extremamente rápida. O que se esconde atrás da desculpa «Não sou dotado para línguas» é frequentemente uma fraca motivação, uma falta de coragem e de vontade para se adaptar a uma nova situação.

3. «Vou confundir tudo, se aprender uma língua próxima. Tenho medo de misturar tudo.» Atrás desta interpretação negativa da passagem duma língua a outra que lhe seja aparentada, esconde-se um modelo de «espaço vazio» irreflectido: «Na cabeça, não há lugar para muitas línguas». Mas, como para as outras aptidões do homem, é igualmente verdadeiro para as línguas que quanto mais línguas se aprenderam, tanto mais facilidade se terá para aprender novas línguas.

No que diz respeito ao facto de se misturar as línguas, é preciso manter sempre presente que a grande vantagem é de poder, de imediato, reconhecer as palavras graças à sua semelhança com as de outra língua, sem grande esforço de aprendizagem. Quando se medita nisso, como deve ser difícil não poder misturar as nossas línguas europeias com línguas como o árabe ou o japonês dado que não há praticamente nenhuns laços de parentesco entre as palavras, ficaremos muito reconhecidos por ser possível misturar e aceitaremos de bom grado esta incerteza inicial relativa à forma precisa da palavra. Pode-se contar de maneira confiante com o facto de que durante um contacto intenso com a nova língua se devenvolverá um sentimento muito marcante para distinguir que palavras, que estruturas e que sons pertencem a cada língua. Mais uma vez é preciso sublinhar que no princípio da aprendizagem duma língua é muito agradável poder ser auxiliado pelas outras línguas próximas; isto não é uma dificuldade, mas sim um grande alívio.

4. «Quando aprendo uma nova língua, deixo de conhecer as minhas primeiras línguas.» Durante a aprendizagem duma nova língua, uma pessoa escolhe um alvo completamente novo, sobretudo se a pessoa se encontra no país. É normal que não se possa passar de maneira ad hoc para uma língua aprendida anteriormente se se está a aprender intensamente outra língua. Quem está consciente deste fenómeno pode ter uma atitude descontraída e ao fim de alguns minutos duma conversa muito hesitante, o fluxo volta a ser fluido. Em breve, uma pessoa sente-se de novo à vontade na língua aprendida antes. Isto é igualmente válido para as línguas que não praticámos durante um certo tempo. Ficam de reserva no nosso cérebro. Só é preciso um bom estímulo para reactivá-las.

É importante que a pessoa não se deixe bloquear pelo medo. Durante um novo encontro com uma língua que já se conhece, a pessoa deve conceder-se uma boa dose de confiança. É preciso estar convencido de que as competências linguísticas já adquiridas antigamente no contexto vivo da conversa ou pela leitura intensa estarão de novo disponíveis muito rapidamente.

5. «Não me atrevo a falar uma língua enquanto não a souber correctamente.» Encontramo-nos aqui no quinto domínio de angústias que a aprendizagem das línguas comporta, ou seja: a mania da perfeição. A ideia de que uma língua só poderia ser utilizada quando fosse falada ou escrita de forma absolutamente correcta bloqueia cada tentativa de uso lúdico e experimental. A escola, com os erros sublinhados a vermelho, as notas e os castigos, esquecendo os encorajamentos, inoculou-nos esta tendência de auto-censura e auto-punição. É necessária a libertação de todas estas forças afim de se entrar de maneira descontraída e motivada numa nova língua. Na escola, a utilização da língua é regulada pelas notas; assim, o facto de evitar os erros é uma questão de sobrevivência. Entretanto, se se visa a competência comunicativa pela utilização da língua, então não interessa qual a utilização da língua porque, mesmo que seja muito incorrecta, é eficaz na medida em que o interlocutor compreende ou pode compreender com a ajuda de perguntas subsidiárias.

A coragem de falar cometendo erros e a aquisição de estratégias para a autocorrecção gradual é o bom caminho para atingir uma competência cada vez maior, partindo duma competência activa reduzida.

A utopia duma competência perfeita em língua estrangeira era em regra o símbolo de um grau de instrução superior, um factor de prestígio social. Muitas pessoas deduziam do facto de se dominar uma língua de forma defeituosa (mas suficiente para a comunicação), que tal denotava falta de instrução, cultura superficial e um nível social baixo. Bem ao contrário, cada competência em língua estrangeira complementar - e mesmo que seja só uma competência elementar e incorrecta - representa mais um ponto positivo na formação, na experiência e no saber. Quem, por falta de competência em língua estrangeira e por falta de vontade em experimentar, não comete erros, não possui aquele ponto positivo a mais.

É necessário render-se à evidência de que estamos a aperfeiçoar a própria língua materna durante a vida inteira e podemos, portanto, autorizar-nos a falar outras línguas para experimentá-las, ao princípio com mais erros e, mais tarde, com mais perfeição. A melhoria é sempre possível - tal não deve impedir ninguém, no fundo, de começar.

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As cinco «angústias» tratadas aqui representam o essencial dos obstáculos subjectivos para a aprendizagem das línguas. É o resultado de um inquérito de questionários realizado com estudantes d'EuroCom na Universidade de Francoforte do Meno. Estes obstáculos podem ser ultrapassados pela consciencialização e pela informação motivacional. Além disso, é preciso sublinhar que sob o aspecto da aquisição de competências receptivas, esses obstáculos não têm importância: 1. Misturar as línguas ajuda muitíssimo na leitura quando uma pessoa se serve de associações-interlinguagem para resolver um problema. 2. Mesmo uma dedução errónea não conduz à produção de um erro nestas novas línguas. Um método receptivo não produz erros.

1.8 Os princípios de EuroCom:

Que representa a estratégia de EuroCom?

Novas línguas que, na realidade, já conhecemos

EuroCom mostra como aprender línguas é fácil onde exista um parentesco entre as línguas. EuroCom prova que a pessoa que fala uma língua europeia, já conhece muito da maioria das outras e que não começa a zero, mas que traz consigo uma grande quantidade de saberes linguísticos para a nova língua. O aprendente descobre que as línguas vizinhas não são línguas estrangeiras, mas que em boa parte já lhe pertencem, haurindo desse facto confiança e, ao mesmo tempo, a motivação para não deixar vegetar estes saberes linguísticos. EuroCom torna transparente ao aprendente as suas capacidades de reconstruir o sentido desconhecido com a ajuda das conclusões analógicas e da utilização da lógica do contexto. EuroCom leva à optimização destas capacidades.

EuroCom fixa objectivos linguísticos fáceis de atingir. EuroCom tende para um aumento de competências parciais no domínio de numerosas línguas, em vez de tender para um aperfeiçoamento ilusório de uma ou duas línguas estrangeiras, pois a verdadeira diversificação linguística europeia começa para além das línguas estrangeiras "standard", como o Inglês, o Francês, o Alemão. EuroCom concebe-se como complemento ao ensino tradicional das línguas ou como estratégia para aliviar e acelerar a sua fase inicial, tornando-se assim uma passagem mais precoce e mais rápida em direcção às línguas vizinhas.

EuroCom completa assim a oferta tradicional no aspecto mais fraco que é, sobretudo de um ponto de vista europeu, a falta de diversificação.

EuroCom visa também mais fortemente um público vasto na população europeia do que o objectivo de aprendizagem "near native language competence" (perto da competência linguística dos naturais de um país). O aspecto de desencorajamento que emana deste último postulado é eliminado pelo reconhecimento e pela valorização das competências linguísticas parciais em numerosas línguas.

EuroCom permite que os europeus possam valorizar mais fortemente as línguas maternas (também a própria) e que não lhes seja imposta uma língua terceira veicular, como saída única para a diversidade linguística.

Finalmente, EuroCom põe em relevo o facto de as culturas europeias fazerem parte duma família e estarem reciprocamente relacionadas.

O princípio é simples

EuroCom junta para a fase inicial tudo o que é fácil na nova língua e evita assim no principiante efeitos negativos.

EuroCom concentra-se na aquisição da competência receptiva como a de ler um texto e assim oferecer uma progressão rápida nas aprendizagens. Os aprendentes experimentam a velocidade com que podem compreender uma língua. EuroCom utiliza todos os efeitos positivos para despertar e manter desperta a motivação, quer dizer, o prazer da curiosidade - o prazer de descobrir como um detective.

A economia durante a aprendizagem torna-se um assunto de auto-reflexão. Fórmulas duma utilidade múltipla e de grande eficácia são visadas sistematicamente. Em lugar de adicionar sucessivamente e penosamente as línguas num processo de aprendizagem que dura longos anos, chega-se imediatamente à multiplicação linguística baseada sobre os significados de palavras e de estruturas multilingues. Mesmo de um ponto de vista da economia da aprendizagem, o olhar para todas as outras línguas da família de linguas impõe-se: restringir-se a uma língua torna-se um obstáculo e abrir-se às outras é um alívio. Assim, o aprendente escapa ao dilema escolar que exclui as opções das outras línguas vivas, desde que tenha optado pelas suas duas primeiras línguas vivas [LV1+LV2].

De um ponto de vista da psicologia da aprendizagem, EuroCom tenta dar um novo significado aos "erros", julgando-os como prestações ou desempenhos de detecção parcialmente conseguidos que apenas é preciso optimizar. Assim, é posto em evidência o lado positivo do facto de adivinhar - um "erro" sublinha o desempenho da escolha. A finalidade é conseguir uma aprendizagem sem medo da sanção.

EuroCom ajuda a que cada um se ajude a si mesmo: reflecte-se e aprende-se a aprender as línguas. Ganha-se assim segurança e cria-se o hábito de nos aproximarmos de novas línguas.

Uma utilidade prática desde o princípio

A competência parcial receptiva que o aprendente acompanhado de um professor ou não pode desenvolver, sempre de maneira autónoma, pela leitura (e ocasionalmente com a ajuda de um dicionário) para obter conhecimentos sólidos, traz-lhe desde o início uma real utilidade comunicativa: a competência receptiva permite ler informações respeitantes ou provenientes do país na língua deste. EuroCom implica a mediação da cultura do país, pois desde o início a competência receptiva conduz a conhecimentos culturais ricos através de textos autênticos do país em causa. EuroCom forma peritos em leitura que já não dependem das traduções existentes.

Além disso, a competência da compreensão escrita é para o aprendente adulto a base mais simples a fim de encontrar rapidamente, através de outros meios, uma competência da compreensão auditiva. Esta competência da compreensão auditiva permite então igualmente compreender directamente as informações televisivas de numerosos países. Por outro lado, é possível compreender directamente os europeus que falam estas línguas, assim como continuar a falar a sua própria língua materna se os parceiros tiverem adquirido a competência receptiva para a nossa língua. Este modo de comunicar funciona muito bem ao fim de alguns minutos de familiarização e permite substituir a comunicação entre dois interlocutores num inglês deficiente. (O recurso a uma língua veicular é aqui unicamente necessário se as competências receptivas dos interlocutores não tiverem contrapartida). Esta forma de comunicação em língua materna poderia ser erigida em programa e poderia receber o título «saber e poder escutar».

Esta comunicação em tandem é o caminho mais fácil para preparar uma utilização activa da outra língua e para começar a falar esta outra língua que se ouve permanentemente e que se compreende.

Ninguém sabe exactamente durante a sua juventude para que domínio linguístico a sua vida ou a sua profissão o conduzirá. Uma competência receptiva diversificada já existente numa ou em várias famílias de línguas torna-se muito rapidamente em caso de necessidade profissional no país destinatário uma competência produtiva na língua deste país.

Uma competência linguística europeia

Somente quando numerosos europeus conhecerem numerosas línguas da Europa é que a Europa se tornará verdadeiramente europeia do ponto de vista linguístico e não apenas centrada exclusivamente sobre o inglês (ou um pouco sobre o francês ou o alemão). A experiência das semelhanças e das diferenças existentes ao mesmo tempo nas línguas europeias servirá de modelo de experiência desta proximidade e alteridade que vivemos simultaneamente na Europa. Assim, a curiosidade e a simpatia por aqueles que falam de outro modo e que nos são estrangeiros pode ser mais facilmente conciliada com a nossa própria identidade. A experiência da aquisição fácil duma competência receptiva no interior da família das línguas românicas motiva à transposição desta experiência para outras famílias de línguas (germânicas ou eslavas), a cujos casos o EuroCom se pode adaptar, assim como a cada combinação das línguas destinatárias: por exemplo, Eurocom para anglófonos, EuroComRom para as nações românicas, EuroComGer para os povos germânicos. Finalmente, uma rede de manuais EuroCom com passadeiras mútuas para as três maiores famílias de línguas europeias poderia ser a chave para as línguas da maior parte dos 700 milhões de europeus.

Compreender os co-europeus nas suas línguas: EuroCom transforma os aprendentes em verdadeiros europeus.

Tradução: Doutor Luciano Caetano da Rosa, Universidade Humboldt, Berlim.

O livro:
Horst G. Klein, Tilbert D. Stegmann
EuroComRom - Die Sieben Siebe

Romanische Sprachen sofort lesen können
(ISBN 3-8265-6947-4)
apareceu em alemão na editora Shaker Verlag.

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